domingo, novembro 9

Vulgarizando a produção


Talvez, se os irmãos Warner não tivessem apostado suas últimas fichas em O Cantor de Jazz, o primeiro filme da história a utilizar o invento do som no cinema, ficássemos sem alguns dos grandes clássicos da história. Isso porque este foi o filme que salvou a Warner Bros. da falência, em 1927, graças a inovação que trouxe às telas. As pessoas adoram novidades. O filme foi um estouro e, se não ajudou a firmar o advento da nova técnica, pelo menos foi o pioneiro, quem deu o primeiro importante passo para sua consolidação nos anos a seguir. E de lá pra cá, tanta coisa vem acontecendo, que passo a achar que a produção audiovisual está ganhando uma nova esfera.

Não faz muito tempo, quando li em um determinado jornal uma matéria, cujo título bradava a seguinte questão: "Os games são os novos filmes". Os games aos quais o jornal se referia, tratava-se daqueles jogos para video-game que possuem roteiro, animação em várias dimensões e trilhas sonoras, tais como as usadas em longas metragem. Após ler esta matéria, em que o jornalista levantava questões como a qualidade das imagens, dos roteiros e principalmente, da realidade na qual os jogos eram criados, passei a acreditar que o cinema, mais do que nunca, está sendo banalizado.

Eu acreditava que isto estava acontecendo, quando grandes filmes blockbusters caiam nas graças do público por trazerem carros turbinados, mulheres bonitas e lutas corporais. Mas percebi então, que isso ainda é cinema, e que ainda traz a magia da produção, direção, elenco, trilha que um filme deve trazer. Acredito que não caibam comparações, mas filmes como Fast And Furious quando comparados a clássicos do cinema, como Gone With The Wind, ou Casablanca são diminuídos a simples filmes fáceis de assistir e sem muito conteúdo intelectual. Mas chegar ao ponto de comparar jogos 3D com cinema é demais.

Ao citar no início do texto o filme Jazz Singer, quis dar o exemplo de como a evolução tecnologica e a necessidade de criar novas formas de entretenimento podem fazer evoluir ao passo de que podem degradar por completo a imagem do determinado meio. Não sou saudosista, tampouco crítica degradadora, mas gosto de deixar claro o que é justo. Uma coisa é comparar siamês com vira-lata. Outra coisa é comparar cão com lobo. Que os filmes estão ficando cada vez mais fáceis de serem compreendidos, é fato. Mas compará-los a jogos de video-games é assinar a sentença de morte do cinema. Que os mestres não me escutem.

Um comentário:

Marcia Gullo disse...

Oi minha Linda... cada vez mais fico surpresa com a sua redação!!!! Criatura, que coisa mais linda de se ler!!!! Você tem uma mente brilhante!!! Ai que orgulho..!!!
Até parace que to lendo uma pagina da FOLHA DE SÃO PAULO.... aquela parte que fala de cinema.

Parabéns!!!!

Bejus e inte.