sábado, outubro 25

A resistência não valeu a pena...


E mais uma vez a minha resistência em conhecer "o novo" caiu por terra. Definitivamente saquei que tenho de deixar ela (a resistência) pra trás ao ouvir a primeira obra de Marcelo Camelo em seu trabalho solo. "Sou" ou "Nós", dependendo do ângulo, traz as primeiras canções do compositor depois da sofrida e misteriosa pausa do Los Hermanos e de fato consegue trazer de volta um pouco da banda, por não abandonar o estilo melancólico mas ao mesmo tempo alegre, que fez parte dos últimos discos lançados pelos cariocas. Isso é facilmente perceptível em faixas como "Mais Tarde", "Doce Solidão" e "Liberdade" (canção composta ainda com a banda), que permitem até o pensamento do tipo: "Poxa, esse poderia ser o quinto álbum dos caras...". O resto das canções se divide em marchinhas incrivelmente bem sucedidas como "Copacabana" e "Tudo Passa", instrumentais em "Saudade" e "Passeando" e até um dueto inusitado com a revelação teen Mallu Magalhães em "Janta". A cantora, auto-intitulada Folk, faz uma pequena participação cantando em inglês nessa belíssima composição de Marcelo, que de certo não ficaria estranha em nenhuma outra voz, nem mesmo na de Mallu. Mas essa é outra discussão; continuemos a falar do CD, que ainda traz a proximidade de Camelo com coisas do nordeste, facilmente percebida em "Vida Doce", um forró desajeitado mas completamente harmonioso, por ser de um carioca.

É indiscutível a entrada de Marcelo Camelo para o seleto time de cantores e intérpretes da MPB, ainda mesmo quando fazia parte do Los Hermanos, e essa sua primeira obra solo veio pra deixar isso mais claro ainda. Um CD fácil de ser ouvido e que deixa uma bela impressão do que a pausa pode ter causado aos outros integrantes. Claro que para um fã da banda carioca, o ideal seria um quinto álbum de estúdio e um pouco mais daqueles shows frenéticos que a banda costumava fazer. Creio que agora ficou difícil para este mesmo fã, definir se quer mesmo a volta do Los Hermanos.

Boa noite.

Jota Jr.

Um comentário:

Ari e Gutt. disse...

Assim que o álbum de Camelo saiu, corri pra escutar! Já tinha ouvido as músicas que vc comenta! Adorei e achei incrível... Porém, minha velha preferência por Amarante e pelo dueto dos dois (característico do primeiro CD), ainda me fazem optar pela banda! Indiscutível o talento de Camelo, mas quando o ouço, a saudade do LH fala alto no meu coração...